O “terço da Gente Preta” ou simplesmente “terço de Henrique Dias”

O caso de Henrique Dias é, de facto paradigmático das hesitações e múltiplas significações que marcaram a elaboração da nova ordem social. Ele era o preto comandante do Terço da Gente Preta, um regimento de escravos e escravos libertos que desempenhou um papel decisivo nas batalhas con tra o (holandês que ocupava Português bens no Brasil e na África, no século XVII) e contribuiu para o Vitória português em 1654. Um herói da guerra da restauração pernambucana (1645-1654), Henrique Dias alcançou o reconhecimento devido por seu papel na resistência para a ocupação ho landesa de 1630-1638 no momento da conquista da Capitania de Pernambuco e grande parte do custo do nordeste do Brasil pela Companhia das Índias Ocidentais (Mello, 1998) 0,3 Por causa dos ser viços prestados nesta primeira fase da guerra contra os holandeses, Dias recebeu através de uma carta régia, datada de 21 de julho de 1638, a partir de Phillip III de Portugal e IV de Espanha , a promessa de um título de nobreza menor (fildago) e um knighthood em um dos orders.4 militar

Segundo Vocabulário português de 1712, um terço, enquanto “termo militar, responde ao que os Romanos chamavam Legião e os Alemães e Franceses chamam Regimento” 1. O “terço da Gente Preta” ou simplesmente “terço de Henrique Dias” surgiu em Pernambuco, ainda nos primeiros anos da guerra de resistência à ocupação holandesa 2. Sua estrutura era em muitos sentidos similar às “guerras pretas” que caracterizavam a presença militar portuguesa na África Central Atlântica no mesmo período. Ali, cada “guerra preta” formava uma pequena tropa de infantaria sob liderança de autoridades locais, constituindo importante instituição militar no contexto das guerras angolanas dos seiscentos3.

Em abril e maio de 1638, as tropas de Henrique Dias participaram ativamente da defesa da cidade de Salvador do ataque do Conde de Nassau. Foi em recompensa por estes serviços que ele recebeu de Felipe III de Portugal e IV da Espanha, a promessa do foro de fidalgo e a mercê de Cavalheiro de uma das Ordens Militares, por carta régia de 21 de julho de 16384. O título de Governador dos Crioulos, Negros e Mulatos lhe foi confirmado por Carta Patente do Conde da Torre, de quatro de setembro de 16395. O Terço dos Pretos, Crioulos e Mulatos aparece com destaque nas narrativas de época das duas Batalhas dos .

Guararapes e do cerco do Recife6. Após a Restauração e a vitória portuguesa no Recife, Henrique Dias foi agraciado por D. João IV com a comenda do Moinho de Soure, da Ordem de Cristo7. Em março de 1656, Henrique Dias viajou à Lisboa para “pedir satisfação de seus serviços feitos nas guerras do Brasil”. Apesar da oposição do Procurador da Fazenda e de alguma discussão sobre o valor das pensões, quase todas as demandas então apresentadas tiveram parecer favorável e foram deferidas pela rainha regente D. Luiza de Gusmão, o que incluía uma pensão para si e a transferência das comendas das Ordens Militares que recebera para os genros, desde que fossem homens de “qualidades e serviços”. Henrique Dias recebeu oficialmente a patente de Mestre de Campo e abriu mão de receber pessoalmente as duas condecorações das Ordens Militares que havia recebido. Após o deferimento das solicitações, ele solicitou ajuda de custo para retornar a Pernambuco, o que também foi deferido pela rainha, conforme parecer de “21 de Junho de 1657”. Em uma terceira petição, requereu a manutenção do terço, o que após muita discussão foi concedido, apenas enquanto o próprio Henrique Dias estivesse vivo. .

De fato, o Terço da Gente Preta permaneceu em atividade como parte das tropas regulares de Pernambuco até meados do século XVIII. Seu terceiro Mestre de Campo, nomeado por carta patente de 20 de março de 1665, chamava-se Antônio Gonçalves Caldeira e recebeu a mercê do hábito da Ordem de Santiago de D.Afonso VI pelos serviços prestados na guerra contra o gentio bárbaro e os negros dos Palmares9.

Um homem Preto Chamado Henrique Dias

Henrique Dias foi um brasileiro filho de escravos africanos libertos nascido em princípios do século XVII, na capitania de Pernambuco, Brasil. Foi mestre-de-campo e cavaleiro da Ordem de Cristo. Não existe consenso entre os historiadores se nasceu cativo ou livre.

No contexto das Invasões holandesas do Brasil, ofereceu-se como voluntário a Matias de Albuquerque para lutar contra os holandeses, tendo recrutado um grande efetivo de africanos oriundos dos engenhos conquistados pelos invasores.

Participou de inúmeros combates, distinguindo-se por bravura, nos combates de Igaraçu onde foi ferido duas vezes, participou ainda da reconquista de Goiana e, notoriamente, em Porto Calvo, em 1637, quando teve a mão esquerda estralhaçada por um tiro de arcabuz. Sem abandonar o combate, decidiu a vitória na ocasião.

Participou de inúmeros combates, distinguindo-se por bravura, nos combates de Igaraçu onde foi ferido duas vezes, participou ainda da reconquista de Goiana e, notoriamente, em Porto Calvo, em 1637, quando teve a mão esquerda estralhaçada por um tiro de arcabuz. Sem abandonar o combate, decidiu a vitória na ocasião.

Estando Portugal em trégua com a Holanda, Dom João IV desautorizara a Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês, do que estes muito se valiam espalhando a notícia. Henrique Dias, no entanto, sem autorização superior escreveu-lhes: “Meus senhores holandeses. Meu camarada, o Camarão, não está aqui; mas eu respondo por ambos. Saibam Vossas Mercês que Pernambuco é Pátria dele e minha Pátria, e que já não podemos sofrer tanta ausência dela. Aqui haveremos de perdar as vidas, ou havemos de deitar a Vossas Mercês fora dela. E ainda que o Governador e Sua Majestade nos mandem retirar para a Bahia, primeiro que o façamos havemos de responder-lhes, e dar-lhes as razões que temos para não desistir desta guerra.”

Títulos de Fidalgo

Devido aos serviços prestados, recebeu títulos de fidalgo, a mercê do Hábito da Ordem de Cristo e a patente de Mestre de campo. Conhecido como Governador dos crioulos, pretos e mulatos do Brasil, envolveu-se ainda na repressão a quilombos, tendo sido cogitado pelo vice-rei Marquês de Montalvão, em novembro de 1640, para combater um quilombo no sertão da Bahia, o que foi recusado pelos vereadores de Salvador.

Como mestre-de-campo, comandou o Terço de Homens Pretos e Mulatos: Pardos do Exército Patriota, também denominados Henriques, nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), vindo a falecer em 1662, oito anos após a vitória sobre os holandeses. Pela criação desse Terço, pode ser considerado o “pai” das milícias afros no Brasil.

Batalha dos Guararapes

    Patrono de uma Organização Militar do Exército

    Pela sua vida de bravura, dedicação, coragem e liderança foi escolhido, no ano de 1992, patrono do então 28º Batalhão de Infantaria Blindada (28º BIB), atualmente, 28º Batalhão de Infantaria Leve (28º BIL) localizado em Campinas – SP.

    Familia

    Seu genro Pedro de Val de Vezo herdou os títulos de Henrique Dias, que incluíam a Comenda de Soure e o título de cavaleiro da Ordem de Cristo. Sua outra filha, Benta Henriques, casou com o Capitão do Terço de Homens Pretos e Mulatos Amaro Cardigo, que também era negro. Cardigo cobrou da coroa o título de cavaleiro da Ordem de Santiago que foi prometida por Luísa de Gusmão aos genros de Henrique Dias. Este pedido foi negado pela ordem após três apelações.

    Referências

    ↑ MATTOS, HEBE, Pretos and Pardos between the Cross and the Sword, 2006 Revista Europea de Estudios Latinoamericanos y del Caribe disponível em:

    2. MATTOS, HEBE, Da Guerra Preta as hierarquias de cor no Atlântico Português disponível em: http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Hebe%20Mattos.pdf,

    – Pagina em Cnstrução Regimento Henrique Dias Presente…

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